A Direção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) enviou comunicado à toda força de trabalho da unidade na última sexta-feira (29) diminuindo o grave acidente ocorrido na noite do dia anterior. Para os gestores da Repar, apenas “houve um princípio de incêndio na Unidade de Destilação U-2100”. A mesma informação deturpada foi repassada à imprensa, que soube do acidente através dos avisos de pauta enviados pelo Sindipetro Paraná e Santa Catarina.
Ocorreram várias explosões na U-2100, com chamas ultrapassando a altura dos 50 metros. O incêndio foi bravamente combatido pelos trabalhadores da Brigada de Emergência da Refinaria e levou quase duas horas para ser controlado.
O Sindicato há tempos alerta a empresa sobre os riscos de acidentes na Repar, mas não tem sido ouvido. Preocupado com a situação, em agosto deste ano protocolou um dossiê com mais de 500 páginas no Ministério Público do Trabalho da 9ª Região, onde denunciou o efetivo insuficiente de trabalhadores, os altos índices de terceirização, sobretudo na manutenção industrial, e a redução de custos na conservação dos equipamentos em função do Procop (Programa de Otimização dos Custos Operacionais).
Missão heroica
Durante o combate ao incêndio, os brigadistas da Repar sofreram com exposição a níveis elevados de benzeno, uma substância altamente cancerígena, e outros produtos tóxicos. Doze horas após o incêndio ainda foram registrados altos índices de benzeno na atmosfera da área industrial. Um dos muitos impactos negativos da redução de efetivo e do Procop é justamente a falta de treinamento adequado das equipes de emergência.
Cabe destacar o ato heroico dos brigadistas. Colocaram suas vidas em risco para salvar a dos seus companheiros(as). O trabalho se deu muito próximo ao fogo e ainda não se sabe o impacto na saúde. A única certeza, por hora, é a da bravura desses trabalhadores.
Confira o vídeo com imagens inéditas do acidente:
Política de (in)segurança do abastecimento da Petrobrás não podia resultar em outra coisa
A greve dos petroleiros entra para a história como um movimento politizado de trabalhadores que trouxe o debate sobre a importância do petróleo para a soberania da nação à sociedade. Foi uma semana inteira de luta, que não acabou com a triste notícia da venda do campo de Libra, pelo contrário, a categoria continuou mobilizada por melhorias na proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e contra o PL 4330.
Para encerrar o movimento histórico, os petroleiros da Repar fizeram nesta quinta-feira (24) um ato simbólico. Marcharam do viaduto da Rodovia do Xisto até o Portão de Acesso PV-1 da Refinaria carregando uma enorme faixa que trazia a seguinte frase: “Não ao PL 4330 – Trabalhadores na luta em defesa dos direitos”.
A greve também fortaleceu os pleitos da categoria na campanha reivindicatória 2013, que trouxe uma série de avanços, como melhorias nos índices de reajuste salarial e nas cláusulas sociais. Além disso, pela primeira vez os petroleiros conseguiram que a Petrobrás adotasse uma política de proteção aos seus trabalhadores terceirizados ao se comprometer em exigir dos novos contratos um comprovante de caução ou outros tipos de garantia, de 1% a 5% do valor total do contrato, para cobertura de verbas trabalhistas e rescisórias.
Confira a proposta aprovada do ACT 2013/2015 aqui!
A 1ª Vara do Trabalho de Araucária determinou a revisão dos cálculos do perito judicial na execução da ação coletiva do aumento por mérito dos trabalhadores representados pelo Sindipetro Paraná e Santa Catarina.
A decisão, publicada no dia 18/10, é resultado da apreciação dos Embargos à Execução apresentados pela Petrobrás e da Impugnação apresentada pelo Sindipetro PR e SC que discutiam diversos pontos do cálculo do perito.
Para apurar os valores devidos em atraso e promover o enquadramento correto dos níveis salariais devidos aos trabalhadores, o perito designado realizou, ainda em 2012, a conta individualizada e indicou os novos níveis a serem projetados para cerca de 500 trabalhadores da Repar, admitidos antes de setembro de 1996. Mas os critérios do cálculo, segundo avaliação do Sindicato e da empresa, estavam em desacordo com a decisão judicial.
A decisão, apesar da demora, acolheu pontos importantes da impugnação apresentada pelos advogados dos trabalhadores e permitiram a revisão dos valores. Dentre os pontos mais relevantes, se destaca a rejeição pelo juiz da pretensão da Petrobrás de não computar os níveis a partir de 2007, com a vigência do novo PCAC. Pela decisão é devido um nível a cada 12 meses, a contar de setembro de 1996 até 2011, quando houve a negociação de novo acordo coletivo que reconquistou a antiga fórmula de aumento por mérito.
Há, no entanto, algumas matérias não contempladas pela decisão, para as quais o Sindipetro PR e SC deverá recorrer para corrigir distorções na conta do perito. A primeira é a limitação da aplicação dos níveis aos trabalhadores "topados" e a segunda é a compensação de níveis concedidos em Acordos Coletivos de Trabalho.
Decisão estende os benefícios aos trabalhadores da SIX
Os trabalhadores do São Mateus do Sul serão contemplados pela decisão do aumento por mérito. O benefício era objeto de impugnação da Petrobrás, que sustentava que a decisão de Araucária deveria ser limitada aos trabalhadores de Araucária. A Juíza do Trabalho, no entanto, acolheu a argumentação do Sindipetro PR e SC que sustentava, com base em outra decisão do ano de 2004,
que a Justiça do Trabalho de União da Vitória havia reconhecido a aplicação da mesma decisão.
Embora tenha sido impugnada pelo Sindicato, a decisão judicial exclui da ação os trabalhadores de Paranaguá e Santa Catarina, sob o pretexto de que, em outra ação trabalhista, tiveram o pedido rejeitado. O Sindicato deverá recorrer desse ponto ao TRT/PR, por meio do Agravo de Petição.
Próximos passos do processo
Da decisão podem a empresa e o Sindicato apresentar recurso de Agravo de Petição, até o dia 28/10, para que o Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT/PR) analise se mantém ou altera algum ponto da decisão.
A apreciação do TRT/PR deverá ocorrer no prazo de 3 a 6 meses. Enquanto isso, o juiz pode determinar revisão provisória da conta, com base no último julgamento. A partir da decisão do TRT/PR, são restritas as hipóteses de cabimento de um novo recurso. Embora a longa espera dos trabalhadores pelo cumprimento da decisão judicial, o fim do processo se aproxima e as chances de mecanismos de protelação pela empresa estão cada vez mais reduzidas.
De 90% a 100% dos trabalhadores de unidades operacionais participam do movimento