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Domingo, 06 Agosto 2017 15:55

O ex-presidente da Petrobrás e professor da Universidade Federal da Bahia, José Gabrielli, realizou na manhã de hoje, no XVII Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), exposição que demonstra como a política atual do governo federal parte de premissas equivocadas sobre o papel do petróleo na economia.

 

Para ele, o setor petróleo no Brasil está passando por mudanças em três grandes áreas: na exploração e produção, na política de gás natural e no refino e abastecimento. Em todos os casos há redução do controle do estado brasileiro e abertura para empresas estrangeiras.

 

Na área de exploração e produção, a política do governo está levando o País a se tornar apenas um exportador de óleo cru, sem conexão com o refino e o abastecimento interno. Isso levará a uma aceleração da realização dos leilões de áreas do petróleo, incluindo o pré-sal. Outro impacto é "o abandono ou relaxamento total na política de conteúdo nacional" - que na história recente fomentou a indústria nacional em vários setores, especialmente o naval.

 

Sobre o gás natural, o movimento do governo e da atual gestão da Petrobrás, de acordo com Gabrielli, é de retirada da companhia do papel central na distribuição. Antes a companhia era dona de toda a cadeia, agora está saindo do setor para abrir espaço para empresas estrangeiras.

 

As mudanças no refino e abastecimento também estão se dando no sentido da redução do papel da Petrobrás. Segundo o ex-presidente da empresa, há hoje um estímulo para que a companhia se atenha à condição de exportadora de óleo cru.

 

Equívocos

O discurso que sustenta o conjunto de mudanças do governo é o de que o petróleo tende a deixar de ser importante como elemento estratégico, tornando-se um produto como qualquer outro, uma commoditie como feijão ou arroz, sustenta Gabrielli. A tese seria a de que, por exemplo, os carros elétricos tomarão o lugar dos carros movidos pelos combustíveis tradicionais.

 

De acordo com o ex-presidente da empresa, no entanto, foram produzidos até hoje 1,5 milhão de carros elétricos, frente a uma frota de 2,6 bilhões de veículos movidos a combustíveis fósseis. "Por mais revolucionária que seja [a expansão do carro elétrico], o impacto vai demorar muito, pelo menos 40 ou 50 anos, para ocorrer", afirma Gabrielli.

 

Ele também cita como exemplo o papel atual do petróleo como combustível na área do transporte de cargas em todos os modais, respondendo por 95%. E como matriz energética geral, para todas as atividades humanas, o petróleo responde por algo em torno de 34% a 35%, com previsão de redução para 31% nos próximos 50 anos, mas ainda assim com um papel muito relevante, o que continuará a garantir o seu papel estratégico. "O petróleo não é igualmente distribuído no mundo. A disputa pelas reservas é um elemento central na geopolítica mundial. Todos os conflitos mundiais atuais tem a ver com o acesso ao petróleo", disse.

 

[Foto: Diego Villamarin]

Domingo, 06 Agosto 2017 14:05

 

Com participação de cerca de 400 petroleiros, o XVII Congresso Nacional da FUP termina neste domingo, 06, com eleição da diretoria da Federação que conduzirá as lutas da categoria no triênio 2017/2020. Agora pela manhã, será realizado o painel “Privatizar a Petrobrás faz mal ao Brasil”, que debaterá a atual conjuntura do setor de óleo e gás, com participação do ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, do coordenador da FUP, José Maria Rangel, e do economista e professor da UFRJ, Eduardo Pinto, um dos integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas Estratégicas para o Setor de Óleo e Gás (GEEP/FUP).

 

Após o debate, os petroleiros irão deliberar sobre o plano de lutas da categoria para o enfrentamento do desmonte em curso do Sistema Petrobrás e a campanha reivindicatória da categoria.

 

Acompanhe pelo facebook da FUP a transmissão ao vivo do  Congresso: https://www.facebook.com/fupetroleiros/

Domingo, 06 Agosto 2017 13:51

O XVII Congresso Nacional da FUP, que reúne em Salvador cerca de 400 petroleiros e petroleiras de todo o país, aprovou por unanimidade, na noite deste sábado, 05, a criação do Instituto José Eduardo Dutra de Pesquisas Sociais, Econômicas e do Trabalho nas Indústrias do Ramo Energético. O Instituto abrigará o trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas para o Setor de Óleo e Gás (GEEP), que tem subsidiado a FUP nos embates para que o Sistema Petrobrás e o pré-sal estejam no centro das políticas de fomento da indústria nacional e do desenvolvimento do país.  

Para o coordenador da FUP, José Maria Rangel, o nome do Instituto é uma “justa homenagem ao Senador que teve a sensibilidade de criar um projeto de lei que anistiou as pesadas multas que nós petroleiros tivemos durante a greve de 1995”, lembrando que José Eduardo Dutra também foi o responsável pela “retomada da Petrobrás como uma empresa do Estado”, quando presidiu a companhia entre 02 de janeiro de 2003 e 22 de julho de 2005. “Através do instituto, esperamos poder intensificar o debate com a sociedade brasileira para que a Petrobrás volte a ser a grande indutora do desenvolvimento do país”, explicou Zé Maria.

 

Presente à plenária que aprovou o estatuto de criação do Instituto, a irmã do ex-senador, Maria Christina Dutra Fernandez, agradeceu, emocionada, a homenagem. “Os valores determinantes do instituto (defesa da soberania nacional, respeito aos direitos humanos e sociais, emancipação dos trabalhadores, luta por uma sociedade justa, democrática e autossustentada e respeito à coisa pública) são exatamente os princípios que sempre nortearam a vida pública de Zé Eduardo”, afirmou.

 

 

Zé Eduardo Dutra, presente!

José Eduardo Dutra teve sua vida marcada pela luta em defesa da soberania energética e dos direitos da classe trabalhadora. Ingressou no Sistema Petrobrás, nos anos 80, quando trabalhou como geólogo da Petrobras Mineração (Petromisa), entre 1983 e 1990. Foi presidente do Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe e dirigente nacional da CUT. Em 1994, foi eleito senador pelo PT, partido que presidiu de 2010 a 2012.

 

Como primeiro presidente da Petrobrás no governo Lula, José Eduardo Dutra deu início ao processo de revitalização que transformou a empresa numa gigante do setor, capaz de descobrir e desenvolver a exploração do pré-sal, que é hoje responsável pela produção de mais de 50% do petróleo do país. Dutra também presidiu a Petrobrás Distribuidora (BR), entre 2007 e 2009. Após uma luta árdua contra o câncer, ele faleceu no dia 04 de outubro de 2015.

 

Importância do Geep

O GEEP reúne pesquisadores, especialistas e acadêmicos que estudam o setor de óleo e gás, que desde o início do ano, vêm assessorando a FUP com pesquisas e propostas para a Petrobrás retomar seus investimentos e o papel de indutora da indústria nacional.

 

Atualmente, participam do grupo o economista e professor da UFRJ, José Luís Fiori, o sociólogo e professor da FESPSP, William Nozaki,  o economista do Dieese, Cloviomar Cararine, o economista e professor da UFRJ, Eduardo Pinto, o pesquisador da Cátedra Celso Furtado/ FESPSP, Rodrigo Leão, a doutora em administração pela UFSC, Paola Azevedo, e a mestranda da UNB, Caroline Vilain.  As análises e artigos do Geep podem ser acessados no portal da FUP.

 

FUP | Fotos Diego Villamarin

Sábado, 05 Agosto 2017 22:07

O início da tarde de sábado, 5, do XVII Confup foi dedicado à discussão de gênero, com a mesa “Democracia só é possível com igualdade de gênero” que reuniu a professora da UFBA – Universidade Federal da Bahia, Bianca Daebs e a Deputada Federal, Alice Portugal (PCdoB/BA).

Bianca Daebs, posicionou a mulher no tempo histórico e citou a importância de repensar enquanto cidadãs ativas da sociedade.

 

“A luta da mulher no mundo moderno se tornou mais forte após a revolução industrial, quando as mulheres que ocupavam postos de trabalho em situações perigosas e insalubres começaram a lutar por melhores condições” – contou.

 

Em seguida a luta pela representatividade surgiu com a briga pelo direito de votar e ser votada e ainda no final do sec. XVIII pelo direito ao divórcio, já que na época estavam inseridas no mercado e ainda precisavam se submeter aos mandos de seus maridos e relações abusivas.

 

“Estamos em pleno século XX e as mulheres ainda lutam por direitos civis e sociais. Enquanto mulheres temos direito ao poder político, social e econômico” comenta a professora que reafirma que não é um favor a mulher ocupar esses espaços na sociedade, mas sim um direito conquistado com muitos anos de luta.

 

A Deputada Alice Portugal lembrou que nos últimos anos as mulheres haviam avançado muito, a conquista mais recente a aprovação da legislação para a trabalhadora doméstica que é considerado por ela como o último elo de ligação do país com o trabalho escravo.

 

Alice analisou a situação da mulher em espaços de poder no Brasil, com base em um relatório da ONU. Sobre a presença da mulher no Executivo, o país possui apenas uma mulher em uma Secretaria com Status de Ministério. Na Câmara de Deputados dos 513 deputados, as mulheres são apenas 55. “Estamos na 154 posição, atrás de países como Nicarágua, Belize e o Haiti. Muitas das mulheres que ocupam esses cargos não compreendem o papel do feminismo”. Dos mais de 80 senadores, temos apenas 12 senadoras.

 

Outro dado apresentado pela Deputada é o de que apenas 11% dos mais de cinco mil municípios existentes são comandados por mulheres. Para Portugal, isso se reflete também nas direções sindicais, que são compostas na sua maioria por homens.

 

“É importante discutirmos a participação das mulheres nos espaços de poder. Além de falarmos de gênero, precisamos discutir diversidade e interseccionalidade*, subverter mecanismos que nos oprimem e educar com valores diferenciados. Temos que erguer a mulher à condição de cidadania que nos foi retirada” - concluiu.

 

*Interseccionalidade (ou teoria interseccional) é o estudo da sobreposição ou intersecção de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação ou discriminação.

Sábado, 05 Agosto 2017 18:22

 

Os trabalhos do XVII Congresso da FUP da manhã deste sábado (05) contaram com a mesa de debates “A conta do golpe: quem paga é o trabalhador”.

 

Participaram o secretário nacional de comunicação da CUT, Roni Barbosa, que é trabalhador petroleiro e membro da direção do Sindipetro Paraná e Santa Catarina; a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Denise Gentil; e o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (DIEESE), Clemente Ganz.

 

Para além dos dados apresentados durante a mesa sobre os impactos do golpe político, jurídico e midiático contra a democracia brasileira, Roni focou sua apresentação na importância da comunicação sindical como instrumento de luta contra as elites que tomaram o poder de assalto no país. “Precisamos melhorar cada vez mais nossa comunicação com os trabalhadores e a sociedade para desconstruirmos o discurso hegemônico dos veículos tradicionais/empresariais de comunicação”, destacou.

 

Para Barbosa, a comunicação sindical tem que apostar nas novas mídias para disputar a opinião pública. “A convergência com os meios digitais é um caminho necessário e sem volta. 70% dos acessos de notícias no portal da CUT na internet são feitos através dos smartphones”, informou.

 

Com relação ao combate contra o desmonte do estado e dos direitos trabalhistas em curso com o golpe no país, Roni acredita que a estratégia passa pela unidade da classe trabalhadora. “Nessa crítica conjuntura, a pauta não deve ser individual, de cada categoria ou sindicato. A pauta é nacional. Nossa palavra de ordem deve ser unidade”, apontou. 

 

Ainda como tática de luta, Roni disse que a comunicação sindical deve atuar de forma colaborativa diante da crise que as entidades irão enfrentar.

Sexta, 04 Agosto 2017 21:02

Em exposição na mesa desta tarde durante o XVII Confup (Congresso da Federação Única dos Petroleiros), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma análise da conjuntura econômica internacional que, segundo ele, levou ao golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. De acordo com o parlamentar, o Capitalismo, historicamente, quando se vê em crise precisa promover uma ruptura para se sustentar.

 

"O sistema capitalista por natureza vive de ciclos econômicos desde o período da Revolução Industrial. A cada momento de crise do capitalismo houve algum tipo de ruptura para ser reinventado", afirmou.

 

O raciocínio do deputado é de que o governo Dilma pegou esse cenário em que o Capitalismo precisava promover essa ruptura para se sustentar, mas, assim como ela no Brasil, encontrava resistência para adotar a sua agenda em muitos países da América Latina, com governos de inclinação de esquerda.

 

Pimenta sustenta que a primeira opção das forças internacionais, antes de 2014, nem mesmo era um golpe no Brasil, mas o retorno ao poder pela via eleitoral, com Aécio Neves, o que explica a grande aliança conservadora em torno do candidato tucano, mas o plano da Direita não deu certo.

 

"Acredito que o golpe não era a primeira opção no Brasil. O modelo clássico é o da Argentina, onde ganharam com [Maurício] Macri. Mas em que pese toda aliança que eles montaram, nós ganhamos a eleição com a Dilma, ganhamos a eleição contra a lógica do que exigia o Capitalismo mundial para o Brasil", disse.

 

O resultado foi a não aceitação do resultado pelo mercado financeiro, algo vocalizado por Aécio Neves ao não aceitar o resultado da eleição e passar a trabalhar para inviabilizar o governo.

 

Passado um ano do golpe, avalia o deputado, "eles não conseguiram entregar o que prometeram, mesmo com a mídia construindo um cenário onde Lula, Dilma e o PT eram sinônimo do que havia de pior, e o País está em frangalhos".

 

O futuro, para Pimenta, passa pela capacidade de mobilização da sociedade. "Temos que transformar esse País num caldeirão, numa resistência democrática", defende.

Sexta, 04 Agosto 2017 20:42

 

O jornalista, escritor e pintor ítalo-brasileiro Mino Carta, editor da revista Carta Capital, participou na tarde desta sexta-feira (04) do painel “Os Pilares do Golpe Jurídico, Parlamentar e Midiático no Brasil”, parte da programação do XVII Congresso da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

 

Diante de um público de aproximadamente 400 delegados e delegadas vindo de todo país, Mino provocou a reflexão sobre as relações de poder no Brasil. “De uns tempos para cá, Lula começou a falar muito em Casa Grande. Isso, confesso, me agrada muito, pois ele deve saber que com a Casa Grande não há acordo possível. Só pode haver briga, até as últimas consequências. Nós temos de pensar que se a Casa Grande é inevitavelmente responsável pelo atraso no Brasil e se manifesta de mil formas, temos que reconhecer que este é o momento de repensar em muitas coisas e fazer um profundo exame de consciência. Até que ponto a dita esquerda brasileira funcionou a contento? Eu acho que não funcionou, porque só um grande partido de esquerda e sindicatos aguerridos, prontos para a luta, podem levar o povo à consciência de cidadania”.

 

Para Mino, os movimentos sociais atuam com firmeza, mas não têm a mesma percepção dos partidos de esquerda. “Entender qual é o verdadeiro papel da esquerda é fundamental. O MST e o MTST são movimentos muito firmes, que desenvolvem uma atividade relevante há muito tempo, mas eu tenho dúvida sobre o desempenho do PT. Vagner Freitas (presidente da CUT) disse, ‘mas o PT esteve no poder por 13 anos e alguns meses e não conseguiu conter a imprensa e a mídia em geral. Por que se deu isso?’ Porque se fazem concessões exageradas a quem não as merece. Essa para mim é a essência do problema”.

 

O jornalista tratou as elites brasileiras como organizações criminosas. “São pavorosas máfias hoje no poder graças a um golpe que juntou os três poderes da república, naturalmente amparados pela mídia, porque a mídia é a porta-voz da Casa Grande. Porque os barões da mídia são os moradores cativos da Casa Grande”.

 

Golpe e resignação

Ao abordar a sessão da Câmara dos Deputados que barrou a investigação do presidente ilegítimo Michel Temer por crimes de corrupção, Mino lamentou a passividade do povo brasileiro. “O trágico e ridículo episódio da votação da Câmara da noite do último dia 02 de agosto foi uma demonstração clara de que o país está à mercê de verdadeiras máfias. Assistimos aquilo com o alinhamento habitual do povo brasileiro, como sempre conformado, certamente um dos povos mais desiguais. Somos um dos mais humilhados, ofendidos, mas ao mesmo tempo, embora isso tudo aconteça claramente, eu afirmo categoricamente que não existe um povo igual em termos de resignação mundo afora. Em um país cada vez mais insignificante e tragicamente ridículo, a sessão da Câmara teve um toque de tragicômico. Uma opera-bufa que espanta”.

 

Mino disse que aquele “espetáculo da Câmara dos Deputados” foi a prova da incompetência da Casa e da hipocrisia de tantos parlamentares. “A velhacaria é estampada no rosto deles. É a clara demonstração de que não têm o menor interesse com o país e por quem os elegeu. Essa situação do Brasil não me surpreende. A mídia contribui de forma decisiva para a afirmação da Casa Grande por todos os caminhos possíveis”. 

 

O jornalista ainda ridicularizou a conjuntura das relações de poder no país. “Nós temos o Supremo Tribunal para causar vergonha, um congresso que é o que é e um Executivo nas mãos de Temer. Temos ali um bando da máfia calabresa, mas tenho a sensação de que a máfia calabresa funcionaria melhor. Eu encaro a situação desse ponto de vista. E a partir disso, acho que está na hora de fazermos um bom, profundo e sincero exame de consciência”, sugeriu.

 

 

A mídia e a decadência do Brasil

Mino foi categórico ao traçar a relação da situação política e econômica do país e a mídia. “Podemos dizer realmente que o Brasil afundou em todos os pontos de vista, isso é inegável. A própria mídia brasileira já foi melhor no sentido que de havia ali jornalistas de muita qualidade. Teve repórteres que se chamavam Rubem Braga. Editores de redação que se chamava Claudio Abramo. Hoje estamos na mão do Merval Pereira. Ele é o semeador do que? Temos naturalmente a  Miriam Leitão. Tem sugestão de outros nomes. Sim, não faltam. Está cheio. A nossa mídia é de uma desimportância, tecnicamente pobre, mal paginada, mal impressa a imprensa. A globo consegue ser um espetáculo diuturno de vulgaridade. É um horror. E disso se nutre o povo brasileiro. Tudo é feito inclusive para contribuir, do ponto de vista cultural, intelectual, educacional, que a senzala permaneça ali. Tudo. As próprias novelas contam um Brasil que não existe. Geram, inclusive, em muitos brasileiros pobres, quando não miseráveis, um sonho de alcançar as benesses burguesas. Isso é um fenômeno grave da nossa história”.

 

Ideias erradas

O jornalista encerrou sua participação no painel do XVII CONFUP com críticas às falhas da esquerda na criação da consciência do povo. “A política social de Lula gerou resultados importantes, pois tirou da miséria absoluta 40 milhões de brasileiros, mas até que ponto criou neles a consciência de cidadania. Em quantos deles criou isso? Eu não sei até que ponto o bombardeio midiático contribuiu para vender ideias erradas, mas essa gente que evoluiu não ganhou em consciência cidadã, mas passou a sonhar em ter os mesmos favores da Casa Grande. É um fenômeno clássico, assim se criam as pequenas burguesias que na hora ‘H’ votam em Bolsonaro. Isso nos faz crer que temos eu rever muita coisa e assumir a mea culpa”.

 

Mino Carta dividiu a mesa de debates com o jornalista e deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e Pedro Serrano, pesquisador da PUC-SP. 

Sexta, 04 Agosto 2017 15:54

Após o ato realizado na porta do EDIBA (Edifício Sede da Petrobrás da Bahia), os delegados do XVII Confup assitiram a primeira mesa desta sexta, 4, sobre Conjuntura política e econômica: articulação de forças sociais na reconstrução do projeto político e democrático com João Pedro Stédile, Guilherme Boulos e Renato Rabelo (PCdoB).

 

A tônica que uniu as falas dos participantes da mesa foi a de que o governo golpista tem um projeto de destruição do país e de tudo que os governos dos trabalhadores construíram nos últimos ano. Apontam como saídas a unidade, o diálogo com o povo e a construção de uma Frente Democrática.

 

Boulos apresenta três desafios para esquerda

Para da Coordenação Nacional do MTST e Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, a esquerda brasileira precisa reconhecer que sofremos uma derrota histórica que se consumou com o golpe. “Em um ano o projeto Temer conseguiu impor profundos retrocessos no país, com base num programa de destruição nacional que não é apoiado só em colocar um presidente não eleito, mas aplicar uma agenda política de retrocessos”.

 

Boulos avalia que o grupo que está no poder coloca em jogo a destruição de três grandes pactos nacionais firmados. O mais recente o pacto Lulista que implementou um programa que representou o investimento em programas sociais e uma política de valorização dos salários dos trabalhadores. Outro pacto é a própria Constituição que foi duramente atacada, quando esse governo aprova uma medida de congelamento de gastos por 20 anos e cerceia a atuação dos próximos quatro presidentes que forem eleitos. E o último e mais antigo é o pacto Varguista que estabeleceu uma série de proteções aos trabalhadores e que agora foi atacado diretamente com a aprovação da Reforma Trabalhista.

 

“Foi implementado no Brasil um programa de desmonte nacional extremamente agressivo e que não cabe na democracia, porque não admite concessão e conciliação. Esse projeto de destruição vem junto com uma crise política profunda, que aprofundou o abismo entre o povo e a representação política” – afirma Boulos.

 

Do seu ponto de vista essa crise profunda de representatividade é perigosa caso seja canalizada por um caminho de direita e de antipolítica que é representada atualmente pelo Deputado Federal, Jair Bolsonaro, e o prefeito de São Paulo, Dória, símbolos do conservadorismo e do retrocesso.

 

Boulos questiona como será feita essa transição política que se a nova república faliu. E alerta que a burguesia já prepara sua saída e a esquerda ainda não. Como desafios aponta três caminhos.

 

“O primeiro desafio é a unidade valorizando aquilo que nos une. É evidente que temos diferenças, mas isso não pode bloquear a unidade. O segundo é construir um pacto com o povo, através do trabalho de base, escutando, acolhendo e falando a sua linguagem e em terceiro desafio a enfrentar é de rediscutir o nosso projeto para o país que deve se basear na revogação de todas as medidas tomadas pelo golpe. Esse é o único caminho que acredito para um projeto para o Brasil e para construir nossa resistência” - explica.

 

Rabelo: esquerda deve se rearticular

O ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo, que hoje preside a Fundação Maurício Grabois, fez sua explanação, com um chamamento às forças progressistas de esquerda a realizarem um grande pacto nacional para reconstrução do Estado e do projeto de desenvolvimento de caráter social e estruturante. Para ele, esse é o momento da esquerda se rearticular. “Há uma cisão entre os golpistas e o povo já compreendeu que foi enganado por eles”, lembrou.

 

“O povo precisa acreditar nas forças progressistas de esquerda”, destacou, frisando que “é primordial criar uma frente e um pacto político e social amplo, que tenha por base a restauração da democracia e a salvação nacional” para “retomar os direitos sociais e trabalhistas, derrubar as barreiras constitucionais que impedem o progresso social, reconstruir a política externa soberana, com reafirmação das parcerias estratégicas”.

 

Para Rabelo, o alicerce do novo projeto nacional de desenvolvimento deve ser a industrialização, a reestatização e o produtivismo. “Nenhum espaço ao rentismo”, frisou.

 

Stédile diz que nossa força é a mobilização popular

Assim como Boulos, João Pedro Stédile defende um projeto nacional para o País com a revogação de todas as reformas e medidas aprovadas pelo governo ilegítimo de Temer. Stédile, um “velho” companheiro de luta dos petroleiros, acredita que toda a análise de conjuntura dever ser coletiva - sozinho não é possível avançar. “A base da nossa análise é compreender como as classes se comportam no seu dia a dia, na política, na economia. Temos que ter capacidade de lidar com a divergência de ideias para construir um Programa para o País em favor do Povo”.

 

Para Stédile, o desmonte do Estado passa principalmente pelo assalto aos bens da natureza. E os petroleiros sabem bem disso, são vítimas do processo de privatização que tentam implantar na Petrobrás. A taxa de lucro do Petróleo é algo extraordinário, assim como a de todos os outros bens naturais. A água, por exemplo, tem uma taxa de lucro 700%.

 

“Esse grupo que está no poder tem pressa. Os capitalistas tem pressa para se recuperar da crise, e colocam todo peso em cima do trabalhador brasileiro. Temos que ajustar nosso foco, que não é mais o Fora Temer, e sim o capital financeiro – os bancos e os meios de comunicação, a rede globo. Eles sabem que é na crise que a esquerda cresce. O que nos salva é a dialética, é que toda ação gera uma contradição e é isso que nos mantém na luta. Eles estão divididos, companheiros. Nossa força é a mobilização popular para construção de  um programa de esquerda não desenvolvimentista”.

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Edição Nº 1418

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