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Quarta, 22 Maio 2019 12:29

Cinco petroleiros já perderam a vida este ano em acidentes de trabalho no Sistema Petrobrás. É o saldo de uma gestão de SMS que descumpre acordos e legislações, negligencia a segurança e pune os trabalhadores com um sistema de consequências que só faz aumentar a subnotificação.

 

Na reunião da Comissão de SMS, realizada na última quinta-feira, 16, a FUP reforçou a urgência de uma política efetiva de prevenção de acidentes e criticou veementemente a postura dos gestores, que seguem na direção contrária. Além de não participar das reuniões da comissão, que é o fórum previsto em Acordo Coletivo para tratar das questões de SMS, a Gerência Executiva ainda tentou impor à FUP uma reunião paralela na sexta-feira, 17, que não foi discutida previamente na comissão, nem sequer teve a pauta divulgada.

 

Isso já aconteceu com a AMS e a PLR. “Não daremos cheque em branco para os gestores continuarem atropelando o ACT”, avisou a FUP. O desrespeito à Comissão de SMS é tamanho, que as gerências levaram dois meses para responder parcialmente à pauta apresentada em março. Nesse intervalo, mais dois trabalhadores morreram em acidentes na Petrobrás. É como diz aquela música: “Tudo agora mesmo pode estar por um segundo”.

 

Respeito às NRs

Em um cenário de precarização das condições de trabalho, onde o governo Bolsonaro quer revisar as Normas Regulamentadoras de proteção à saúde e segurança dos trabalhadores, a FUP enfatizou a importância da Petrobrás garantir o cumprimento das NRs.

 

O diretor do Sindipetro Unificado de São Paulo, Itamar Sanches, que representa a CUT na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que trata sobre regulamentações na área de segurança e saúde no trabalho, fez um apelo aos gestores para que defendam as conquistas obtidas. “Tivemos avanços importantes ao longo dos anos. Não queremos que os acidentes que mancharam a imagem da Petrobrás no passado, matando centenas de trabalhadores e afetando o meio ambiente, voltem a acontecer”, ressaltou.

 

A FUP destacou a importância da construção conjunta da NR 37, que trata especificamente da segurança nas plataformas de petróleo, e cobrou que os gestores da Petrobrás ajudem na consolidação da norma. Uma das ações neste sentido é garantir a participação dos sindicatos na implementação da NR. O RH informou que a empresa apresentará um cronogramas de implementação da norma no encontro anual dos presidentes e vice-presidentes das CIPAs.

 

Em relação à cobrança que a FUP fez na última reunião da Comissão sobre o cronograma de treinamentos dos trabalhadores, a Petrobrás informou que está sendo preparado um pacote de cursos de reciclagens e treinamentos, nos mesmos moldes do que está sendo implementado em relação à NR-20, via ensino à distância (EaD). A FUP pontuou que os trabalhadores têm relatado uma série de dificuldades nesses treinamentos, pois ainda há gerências que insistem que os cursos sejam feitos simultaneamente à realização das atividades laborais, o que contraria a NR-20.

 

O RH informou que já foi divulgado um DIP coibindo essas ações e orientando sobre a educação à distância. A FUP, portanto, reforça a importância dos trabalhadores relatarem para os sindicatos como tem sido a implementação das NRs em suas unidades, tanto em relação aos treinamentos, quanto ao seu efetivo cumprimento.

 

Segurança industrial 

A explosão em janeiro de um duto da Pemex (petrolífera mexicana) durante furto de gasolina matou 130 pessoas. No mesmo mês, em Minas Gerais, a Vale causou o maior acidente de trabalho da história do país, com pelo menos 235 mortos (ainda há 35 desaparecidos), após o rompimento de mais uma barragem. Em fevereiro, um incêndio no alojamento do Centro de Treinamento do Flamengo matou 10 adolescentes.

 

O que essas tragédias têm a ver com o SMS da Petrobrás? Diretamente, nada. Mas há uma grande similaridade com os diversos ambientes de trabalho. A empresa tem sete barragens de água em seis refinarias, duas delas na Rlam (BA). Há trabalhadores que ficam horas em instalações permanentes dentro das unidades industriais, como casarios e dormitórios. Petroleiros próprios e terceirizados são vítimas de criminosos que atacam os dutos da Transpetro para roubar combustíveis.

 

Não é de hoje que a FUP vem alertando para os riscos de um grande acidente industrial no Sistema Petrobrás, principalmente após as privatizações, cortes de custos com segurança e manutenção das unidades e redução drástica dos efetivos de trabalhadores.  Ao responder aos questionamentos sobre os padrões de segurança e inspeção dessas áreas, as gerências informaram que seguem as orientações legais, mas deixaram muitas perguntas sem respostas. No caso dos furtos de combustíveis por derivações clandestinas nos dutos, a Transpetro informou que as ocorrências saltaram de uma, em 2011, para 261, em 2018, e admitiu que não tem padrões diferenciados para as equipes de contingência  que atuam em situações de emergência.

 

Faixa de dutos

A FUP ressaltou que os técnicos de dutos (andarilhos), além dos riscos que correm, não têm condições seguras de trabalho, em função da redução de efetivos e da precarização. Até hoje, a empresa sequer resolveu a pendência do ACT referente à implantação do adicional de dutos. Outra questão ressaltada foi a subnotificação de acidentes com trabalhadores terceirizados que atuam nos reparos e limpeza dos vazamentos, a maioria deles sem EPIs e sem treinamento. Os contratos são temporários, não há registros de análises de risco, nem de acidentes, muito menos acompanhamento dos sindicatos. A FUP cobrou da Transpetro que resolva o mais rápido possível os problemas relatados.

 

Casarios e dormitórios

A Petrobrás informou que cumpre os padrões de segurança e rotinas operacionais de proteção previstos para essas instalações.  A FUP questionou, destacando que, durante as greves nas refinarias, a empresa sofreu diversas autuações de fiscais do MPT por manter equipes de contingências em áreas industriais, lembrando que esses trabalhadores chegaram a dormir em salas de baterias e instalações próximas a subestações e outras unidades operacionais. Os dirigentes sindicais também cobraram informações sobre aplicação de simulados de emergência em prédios administrativos dentro das áreas industriais.

 

Barragens

A FUP cobrou que a Petrobrás oriente as gerências das refinarias que têm barragens de água a disponibilizarem para consulta dos sindicatos os relatórios de inspeção, que, segundo a empresa, ficam disponíveis para consulta no setor de engenharia.

 

Outros pontos

A FUP solicitou que a Transpetro apresente os critérios utilizados para estabelecer o número mínimo de trabalhadores que atuam nas brigadas, ressaltando que no Sudeste a empresa não está cumprindo sequer a NR 20 e a NBR 14276, normas referentes ao dimensionamento das brigadas de combate a incêndio.

 

Outra cobrança feita pelas direções sindicais foi sobre a realização de fóruns nacionais sobre segurança de processo e efetivos.

 

[FUP]

Quarta, 11 Abril 2018 13:49

Enquanto as gerências da Petrobrás preferem punir as vítimas de acidentes, culpando os trabalhadores para se eximirem de suas responsabilidades, mais um trabalhador perde a vida de forma estúpida. José Altamir Ozorio, 63 anos, funcionário da empresa Cross & Freitas, responsável pelos serviços de corte de grama no TEDUT, Terminal da Transpetro em Osório (RS), foi vítima de um acidente fatal, no final da tarde de ontem (09/04), ao ser atingido pela caçamba do trator que operava. Segundo relatos de outros trabalhadores, ele sofreu um tombo, quando o trator passou sobre um desnível do terreno, e foi atropelado pela caçamba. José Altamir chegou a ser socorrido com fraturas, submetido a cirurgia, mas não resistiu e faleceu no início da noite.

 

Foi o segundo acidente fatal registrado em 2018. Nestes dois anos de gestão de Pedro Parente, 13 trabalhadores morreram em acidentes no Sistema Petrobrás, dos quais 10 eram terceirizados. No último dia 05, a FUP denunciou aos gestores de SMS os riscos que os trabalhadores vivem, em consequência da redução de efetivos e das condições precárias nas unidades operacionais. As denúncias foram feitas durante a primeira reunião da Comissão de SMS, quando as direções sindicais tornaram a criticar a política autoritária de punição, baseada em um sistema de consequências, que, na prática, só faz aumentar a subnotificação de acidentes.

 

Recentemente, houve um acidente na Repar, no Paraná, semelhante ao que tirou a vida do trabalhador do Tedut. A ocorrência não gerou lesões mais graves ao trabalhador e acabou sendo tratada como um mero incidente, o que não foi revisto pela empresa, nem após a intervenção do sindicato local. "Se este acidente tivesse sido registrado corretamente, o que geraria a constituição de uma comissão de investigação, composta por representantes do SMS, da Cipa e do sindicato, o que resultaria em recomendações de um plano de ação, com a devida abrangência, nós, provavelmente, não estaríamos chorando mais uma morte", declara o secretário de Saúde, Meio Ambiente e Segurança da FUP, Alexandro Guilherme Jorge, que é também diretor do Sindipetro-PR/SC e acompanhou este caso de perto.

 

"Quantas vidas a mais serão ceifadas enquanto alguns gestores do Sistema Petrobrás defendem essa política que já se provou equivocada e não avançam numa construção mais democrática e com a participação efetiva daqueles que põem todos os dias suas vidas em risco em unidades industriais?", questiona.

 

Os resultados da recente pesquisa de SMS e NR-20 feita pela FUP nas refinarias da Petrobrás comprovam que a empresa não investe na prevenção de acidentes e tão pouco zela pela saúde e segurança dos trabalhadores. Dos 1.180 petroleiros que responderam ao questionário, 94% afirmaram não se sentirem seguros com os efetivos reduzidos impostos recentemente pela empresa e apenas 170 disseram ter treinamento dos procedimentos de Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis, como prevê a NR-20.

 

É para encobrir essa realidade, que os gestores transferem para os trabalhadores a responsabilidade pela ineficiência de uma política equivocada de SMS, cujo principal foco é atender aos indicadores da empresa a qualquer custo. O resultado tem sido a potencialização da subnotificação de acidentes, em função de um sistema de consequências que só faz aumentar o medo dos trabalhadores, principalmente os terceirizados.  "A não comunicação dos acidentes de menor gravidade resultam na não identificação e tratamento da base da pirâmide de acidentes, o que é básico para qualquer política de prevenção. Isso culmina em acidentes absurdos, como o que vitimou José Altamir", explica o diretor da FUP.

 

“É ainda mais frustrante para nós que essa tragédia tenha ocorrido poucos dias depois da primeira reunião do ano da Comissão de SMS. Embora de maneira ainda preliminar, já identificamos aspectos que foram amplamente debatidos com a empresa e cujos alertas que fizemos se comprovaram com a morte de mais um trabalhador. Esperamos, sinceramente, que os discursos feitos pelos gestores na mesa de que priorizam a segurança dos trabalhadores acima de qualquer outro indicador se materialize em ações concretas com a maior brevidade possível, pois, do jeito que está, não podemos continuar. De nossa parte, envidaremos todos os esforços necessários”, ressalta Alex.

 

[FUP]

Quarta, 12 Julho 2017 17:18

 

Uma das estratégias da FUP e sindicatos para barrar os cortes de postos de trabalho nas refinarias é a aplicação de um questionário sobre Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) e a Norma Regulamentadora (NR) 20 do Ministério do Trabalho e Emprego (Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis).

 

O formulário apresenta 11 questões que devem ser respondidas manuscritamente pelos técnicos de operação de todas as unidades de refino da Petrobras. O objetivo é fundamentar a defesa dos postos de trabalho.

 

O questionário deve ser entregue aos dirigentes sindicais de base. O documento está disponível no link dos anexos abaixo. Responda, encaminhe ao Sindicato e fortaleça a luta contra o desmonte da Petrobras. 

Segunda, 26 Junho 2017 20:14

 

 

Segurança industrial é um tema pra lá de sério. Envolve a vida de trabalhadores e com isso não se brinca, definitivamente. Todavia, a história que vamos contar aqui pode apresentar variações entre o esculacho e a anedota, pois quando alguém se presta a um papelão desses, fica difícil conter o riso diante do ridículo.

 

Nosso protagonista é o sargento. A breve biografia laboral do personagem mostra que atuou por cerca de 10 anos como gerente de manutenção na Usina do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul. Nesse tempo, aprontou umas do “arco da véia” com as normas e recomendações de segurança. Na lógica da “meritocracia inversa”, passou há pouco tempo para o cargo de gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) na Usina. Segura o riso ou a lágrima, ainda piora.

 

Entre os meses de maio e junho a SIX passou pela parada geral de manutenção de seu módulo industrial. Feliz, sargento começou logo com os dois pés no peito e meteu no primeiro dia uma PTT para se livrar da turma que zela pela segurança.

 

O serviço mais complexo e de difícil execução da manutenção da Usina foi no incinerador. A estrutura da parte de cima da chaminé de 100 metros estava corroída e foi necessário cortar 18 metros. Uma ação desse porte, com dezenas de toneladas de metal para remover, requereria uma série de ações de segurança e o cumprimento rígido das normas, mas não para o sargento. Ele tratou de montar um verdadeiro acampamento de guerra próximo ao incinerador. Instalou um container como se fosse uma espécie de QG e de lá mandava e desmandava na peãozada que estava lá no alto.

 

Para o sargento não tem tempo ruim. Chuva forte, raio e trovão? Moleza! Sobe lá e continua o serviço. As intempéries climáticas não causaram sequer receio no gerentão com a segurança dos trabalhadores da manutenção. Claro, no dos outros é refresco, diz a máxima popular.

 

Não se engane, leitor. Quem não teve que subir na chaminé também não teve vida fácil na parada. Lá embaixo, atolados no barro, trabalhadores viam cair pedaços da chaminé por todo lado. Contudo, uma coisa temos que reconhecer: o sargento é um cara de sorte. Mesmo com as ordens inconsequentes e expondo os trabalhadores a todos esses riscos, nada de grave ocorreu. Como não temos esperança de mudança na postura do gerente, a sorte deveria constar nas normas de segurança da Usina. Fica a dica para os mandatários da SIX. Como o Sindicato não concorda com nada disso, seguirá denunciando as atrocidades dos gestores aos órgãos competentes. E o recado é bem claro: tenham muita sorte, mesmo, pois se algum acidente mais grave acontecer, a reação será nas esferas cível e criminal.

 

Para encerrar, uma pergunta. Com os valores e normas de SMS construídos ao longo de anos de conscientização jogados no lixo durante a parada, qual será a validade de um DDS na SIX daqui para frente? 

Terça, 31 Janeiro 2017 18:54

 

 

No dia 27 de janeiro foram retomadas as reuniões periódicas (a cada 2 meses) da Comissão Local de SMS/Repar. O Sindicato oficiou a gestão da refinaria sobre a pauta com uma série de pontos sobre assuntos pendentes. Os mais urgentes foram tratados naquele dia, mas devido à extensa pauta alguns ficaram para a próxima reunião, a ser realizada dia 09 de março.

 

O primeiro tema tratado foi o Programa de Saúde Mental da Repar, exposto pela médica do trabalho Nelly Kon. Foi apresentado o fluxograma de atendimento em saúde mental na refinaria. O Sindicato, porém, cobrou as estatísticas dos casos registrados e também dos que estão em andamento. O gerente de SMS disse que o balanço anual do programa será concluído no mês de março e que na próxima reunião da Comissão de SMS os dados serão apresentados.

 

Outro ponto da reunião foi a solicitação, por parte do Sindicato, dos protocolos de atendimento na Saúde Ocupacional para vítimas banhadas por hidrocarbonetos ou qualquer outro produto químico existente na refinaria, bem como a apresentação da SMS dos possíveis acidentes com múltiplas vítimas já mapeados e qual a estrutura de atendimento necessária e a disponibilizada pela refinaria.

 

A refinaria atendeu as requisições do Sindicato e ainda confirmou que o resgatista da EOR deve continuar compondo a equipe. A empresa apresentou uma simulação realizada em Araucária que envolveu um acidente de trânsito com um ônibus. O Sindicato questionou sobre simulacros dentro da refinaria com relação a múltiplas vítimas. A gestão admitiu dificuldades para este tipo de simulação, mas que existe um planejamento junto ao Corpo de Bombeiros para realizar exercícios fictícios de atendimento às múltiplas vítimas dentro da refinaria.

 

O último assunto tratado foi a composição da Comissão de SMS. A empresa apresentou o DIP (Documento Interno do Sistema Petrobrás) com a relação dos nomes.

 

Membros indicados pela empresa

Titulares:

- Kelly Bedin França, gerente de RH;

- Giovani Claudemir Vizzotto, gerente de SMS;

- Marcelo Joecil da Rosa, gerente setorial de segurança industrial.

 

Suplentes:

- Janaína Santana Mabília, técnica de segurança pleno;

- Carlos Eduardo Lopes Santos, técnico de administração e controle pleno;

- Marcelo Raia, gerente setorial de saúde ocupacional;

- Gilberto Helio Medeiros, engenheiro de segurança pleno.

 

Membros da Comissão de SMS pela CIPA:

- Marcio Grassi, presidente da CIPA 2016/2017 (titular)

- Elisângela Costa, vice-presidente da CIPA 2016/2017 (titular)

 

Membros indicados pelo Sindipetro PR e SC:

Titulares:

- Luciano Zanetti, técnico de operação pleno;

- Alexandro Guilherme Jorge, técnico de inspeção de equipamentos pleno;

- Thiago Schmidt Olivetti, técnico de operação pleno;

 

Suplentes:

- Anacélie Assis de Azevedo, técnica química de petróleo;

- Márcio Ricardo Marinho, técnico de manutenção sênior;

- Rodrigo Carneiro Pellegrini, técnico de operação pleno.

 

 

 

Reunião extraordinária de pauta local sobre jornadas na parada da U-2200

No mesmo dia aconteceu uma reunião excepcional para esclarecer uma denúncia que chegou ao Sindicato sobre remanejamentos de grupos de turno durante a parada da U-2200, que apontava extensões de jornadas diárias de até 12 horas e descumprimento de interstício.

 

A gestão assumiu o erro e afirmou que os grupos irão trabalhar de acordo com a tabela normal, bem como que em caso de necessidade solicitaria reforço para os empregados que estiverem de folga.

 

A gerente de RH ressaltou que as dobras só podem ocorrer em situações excepcionais e não rotineiramente.

 

O Sindicato questionou sobre o motivo dessa parada não planejada da Unidade e a empresa respondeu que é devido a vazamentos de vapores de alta pressão nas válvulas parcializadoras do compressor C-2201.  

Terça, 31 Janeiro 2017 13:01

 

 

Os dirigentes do Sindipetro PR e SC Mário Dal Zot e Alexandro Guilherme Jorge participaram na manhã desta terça-feira (31), em Duque de Caxias-RJ, do ato em memória do técnico de operação Luis Augusto Cabral, que há um ano perdeu a vida em um acidente causado pela irresponsabilidade e negligência dos gestores da Petrobrás.

 

O trabalhador faleceu na noite do dia 31 de janeiro de 2016, após cair dentro de um tanque de combustível aquecido à temperatura de 75º C. Quando subiu para aferir o nível de armazenamento, o teto do reservatório, que estava bastante corroído por ferrugem, cedeu. O corpo só foi localizado dois dias depois do acidente fatal, com o esvaziamento do tanque. 

 

O dirigente Alexandro, que é técnico de inspeção de equipamentos na Repar, falou sobre uma experiência semelhante que remete a morte de Cabral. “Estávamos em uma fase de acessar os tetos dos tanques para fazer algumas manutenções. Eu subi em praticamente em todos os tanques da Repar para avaliar as condições de acesso. Quando aconteceu este acidente na Reduc, eu me vi na situação que o Cabral passou. A minha atividade, que é de inspeção, existe para garantir a segurança dos equipamentos, mas infelizmente aqui na Reduc não foi isso que ocorreu”, relatou.

 

Para o presidente do Sindipetro PR e SC, Mário Dal Zot, o acidente que causou a morte do operador Cabral é emblemático. “Demonstra toda a irresponsabilidade com relação à vida no Sistema Petrobrás. Mesmo cientes das péssimas condições do tanque, mantiveram as operações sem as devidas manutenções preventivas. Não foi um simples acidente, mas sim um assassinato diante do descaso da empresa com a segurança dos equipamentos e dos trabalhadores”, afirmou.

 

O ato na Reduc foi promovido pelo Sindipetro Caixas, em parceria com a FUP, e contou com a participação de membros de sindicatos de petroleiros de todo o país.

 

 

Cabral, presente! 

Nascido e criado no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Cabral tinha apenas 56 anos de idade e não descuidava da saúde. Além de fazer natação, era vegetariano e gostava de jogar uma pelada com os amigos. Também era muito ligado à família. Tinha um filho de 21 anos e ajudava a cuidar dos pais idosos, dos quais era vizinho.

 

Com 21 anos de empresa, ele era um profissional experiente, referência no setor de transferência e estocagem da Reduc, mas não teve sequer a chance de reagir, quando o teto do tanque rompeu.

 

 

Denúncia no MP 

No último dia 25, a FUP e o Sindipetro Caxias apresentaram ao Ministério Público do Rio de Janeiro os relatórios das diversas comissões que investigaram o acidente e esperam que o fato seja apurado como um crime, pois colocar vidas em riscos não é acidente e sim assassinato. 

 

Os relatórios apresentados à promotoria foram feitos pela Cipa, pela Petrobrás, pelo MTE e pela ANP. A FUP e o Sindipetro Caxias também forneceram as listas com os nomes dos sete gerentes da Reduc que, no entendimento das entidades sindicais, são os responsáveis pela morte de Cabral, já que foram coniventes com irregularidades nas fiscalizações dos tanques e equipamentos e se omitiram diante da insegurança crônica que coloca em risco diariamente a vida dos trabalhadores.

Quinta, 07 Abril 2016 17:50

Nesta quarta-feira, 06, a FUP enviou documento à Petrobrás, cobrando a suspensão do Plano de  Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), enquanto a empresa não cumprir a Cláusula 91 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que garante a manutenção de "um fórum corporativo para discutir questões envolvendo o efetivo de pessoal".

 

Sem qualquer discussão com o movimento sindical, a Petrobrás quer dispensar 12 mil trabalhadores, "independente de idade e tempo de empresa", como comunicou ao mercado.

Em um intervalo de apenas dois anos, a companhia pretende eliminar cerca de 20 mil postos de trabalho, enquanto os petroleiros sofrem no dia-a-dia com jornadas extenuantes, em função das dobras e multifunções geradas pela redução de efetivos.

 

O resultado dessa política equivocada é um acidente atrás do outro, que, quando não mata, mutila e adoece.

 

Em 2014, quando a Petrobrás abriu a primeira edição do PIDV, que resultou na saída de 6.254 funcionários (outros 1.055 inscritos deixarão a empresa até maio de 2017), a categoria ficou ainda mais vulnerável aos riscos de acidentes, em função das já precárias condições de segurança. Foram 15 óbitos por acidentes de trabalho só naquele ano.

 

De lá para cá, já tivemos mais 21 mortes de trabalhadores em acidentes na Petrobrás, sem que a empresa aponte mudanças em sua política de SMS, se recusando a discutir efetivos, como asseguram o Acordo Coletivo e a NR-20, que determina que "empregador deve dimensionar o efetivo de trabalhadores suficientes para realização das tarefas operacionais com segurança". A Norma garante que os critérios e parâmetros para esse dimensionamento sejam discutidos com as representações dos trabalhadores e documentados pela empresa.

 

A Petrobrás não só descumpre o que garante a lei e o ACT, como volta a afrontar a categoria com mais um PIDV de custos bilionários nesse período de crise.

 

Fonte: FUP

Terça, 02 Junho 2015 19:39

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