Terça, 28 Janeiro 2020 15:45

“O Brasil está sendo desindustrializado”

A fala é do dirigente do Sindiquímica-PR, Santiago Santos Silva, que participou da assembleia do Sindipetro PR e SC em frente à Repar. Ele alertou os presentes sobre o processo de desindustrialização em curso no Brasil: “o que acontece lá na Fafen-PR vai vir para cá, Repar. Por isso essa é uma greve pela sobrevivência do Sistema Petrobrás. O Brasil está sendo desindustrializado”.

 

Hoje, 28 de janeiro, marca o fechamento do cronograma de assembleias nacionais convocadas pela FUP e demais sindicatos filiados. Até o momento, a grande maioria dos petroleiros é favorável a greve nacional em primeiro de fevereiro seguindo os indicativos da Federação.

 

Na assembleia desta manhã, as pautas da realização da greve por tempo indeterminado, além do item que trata do descumprimento de cláusulas do ACT sobre as demissões em massa, foram a tônica das conversas.

 

Para o dirigente do Sindipetro PR e SC, Alexandro Guilherme, infelizmente muitos trabalhadores só se unem na dor. “Para alguns a ficha não caiu, mas o que está acontecendo na Fafen-PR é um laboratório. Os próximos alvos são a Usina do Xisto (SIX) e Repar”, explicou.

 

Alexandro relatou as ações dos trabalhadores para barrar as demissões em massa na fábrica de fertilizantes: “os vereadores de Araucária fizeram nota de repúdio contra o fechamento e os deputados federais do Paraná se encontraram com o governo do estado, esse que se comprometeu e disse que vai conversar com a gestão da Petrobrás”.

 

Os petroleiros precisam ficar em estado de alerta e entrar na luta contra a demissão em massa na Fafen-PR, além de participar da forte greve nacional que se inicia em primeiro de fevereiro, pois a Repar está à venda.

 

Trabalhadores correm contra o tempo!

 

Os relatos dos dirigentes do sindicato dos petroquímicos mostraram que há muito motivo para lutar. Reginaldo da Silva, explicou ainda que os trabalhadores, em um primeiro momento, não tinham o entendimento de que o pior iria acontecer. Mas, quando 14 de janeiro se apresentou, com o anuncio do fechamento da Fafen-PR e a demissão em massa, a ficha caiu.

 

Para o dirigente, muitos que antes davam as costas para o sindicato, agora fazem parte da ocupação, que dura oito dias, em frente a Fafen-PR. “Nós não queremos fazer parte dos mais de 13 milhões de desempregados”, completou Reginaldo.

 

Atualmente, a situação da Fafen-PR é acompanhada por uma força tarefa do Ministério Público do Trabalho (MPT). Vale ressaltar que, se dependesse da Petrobrás, as demissões aconteceriam já em 14 de janeiro. O fato não se consumou porque a fábrica estava operando.

 

“O relógio corre contra a gente. Nós queremos a fábrica operando e gerando riqueza, tanto para o Paraná como para Araucária, além dos nossos empregos, pois temos capacidade de trabalhar dentro da Petrobrás”, completou Reginaldo.

 

O dirigente Santiago Santos Silva relatou, por fim, que desde 2016 já se falava no golpe que a classe trabalhadora sofreria com a política iniciada por Michel Temer: “primeiro veio a mudança na Lei da Partilha, depois a flexibilização irrestrita do trabalho, aí chegou a reforma trabalhista e agora a reforma da previdência”, disse Santiago.

 

Na verdade, a Petrobrás pode escolher a data que for (14 de janeiro ou 14 de fevereiro), isso pouco importa. O fato é que a atual gestão da empresa é 17 de janeiro, ou seja, 171 do código penal, pois mente para ter vantagem própria e causar prejuízo alheio. Fazer manobra contábil para alegar prejuízo é prática de estelionatário.

 

Por fim, as assembleias sobre o indicativo de greve em primeiro de fevereiro estão sendo realizadas até hoje (28). Amanhã (29), a FUP e seus sindicatos voltam a se reunir no Conselho Deliberativo para encaminhar a decisão da categoria.

 

Relato estarrecedor

 

Imagine a seguinte situação: você chega no seu trabalho e quando vai bater o ponto, na entrada, se depara com um jagunço armado e com colete à prova de bala. Depois, já no fim da tarde, na saída, lá está o mesmo jagunço, armado e com o mesmo colete à prova de bala. O que isso significa? Bom, uma coisa é certa, em 2020, numa fábrica de fertilizantes nitrogenados do Petrobrás, isso pode ser tudo, menos algo normal.

 

O dirigente do Sindiquímica-PR, Reginaldo da Silva, relatou que os trabalhadores da Fafen-PR vivem essa situação terrível. “Todos sabem que a Petrobrás levou seis jagunços armados para a porta do MPT, na última sexta-feira, 24, numa tentativa de intimidar o sindicato, hoje eles estão em frente ao nosso relógio ponto”.

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Edição Nº 1418

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