Segunda, 29 Abril 2019 20:02

Petroleiros protestam contra a venda da SIX e demais refinarias

Ato desta terça-feira (30) também cobra mudança na política de preços dos combustíveis.

 

 

Os trabalhadores da Usina do Xisto (SIX/Petrobrás) realizam na manhã desta terça-feira (30), por volta das 07h00, uma manifestação em frente à unidade industrial, em São Mateus do Sul, na região centro sul do Paraná.

 

O protesto é motivado pelo anúncio feito na noite da última sexta-feira (26) de que o conselho de administração da Petrobrás decidiu colocar à venda oito das treze refinarias da companhia. Estão na lista a SIX e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), localizada em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.  

 

Completam o bloco de privatizações as refinarias Abreu e Lima (RNEST – Pernambuco), Lundolpho Alves (RLAM – Bahia), Gabriel Passos (REGAP – Minas Gerais), Alberto Pasqualini (REFAP – Rio Grande do Sul), Isaac Sabbá (REMAN – Amazonas) e a Fábrica de Lubricantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR – Ceará), além da BR Distribuidora e a rede de postos no Uruguai.

 

A manifestação também vai questionar a política de preços dos combustíveis no Brasil, a qual segue a cotação do dólar e o preço do barril de petróleo no mercado internacional. Por conta disso, a gasolina acumula alta de 21,5% em 2019. A categoria cobra que se pratique o preço baseado no custo da produção nacional, que gira em torne de US$ 30 a US$ 40 o barril. O valor atual do mercado internacional e que é aplicado no país é de aproximadamente US$ 80/barril.

 

 

A importância da SIX para São Mateus do Sul

Os números da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), localizada no município de São Mateus do Sul, na região sul do estado, impressionam. A usina processa diariamente cerca de 5,5 mil toneladas de xisto e 298m³ de lastro (borras oleosas de tanques), com produção média diária de 4,5 mil barris de petróleo, 80 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e 75 toneladas de enxofre. Essa riqueza é gerada a partir da escavação do xisto pirobetuminoso - rocha sedimentar rica em matéria orgânica - na formação de Irati, a maior mina do país. A tecnologia de processamento foi desenvolvida pela Petrobrás.

 

A unidade emprega mil trabalhadores diretos e outros três mil indiretos. Isso em município de 45 mil habitantes. Estima-se que a existência da unidade traga alguma forma de renda para pelo menos um terço da população são-mateuense.

 

Nas contas públicas, os números são ainda mais expressivos. Em 2015, a SIX gerou R$ 98 milhões em impostos e royalties. A Prefeitura de São Mateus, que ficou com uma fatia de R$ 20 milhões, teve com a Usina aproximadamente 40% de sua arrecadação total naquele ano.

 

Risco de fechamento

O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro) alerta sobre o risco que o processo de privatização traz à Usina do Xisto. As Fábricas de Fertilizantes (Fafens) dos estados da Bahia e Sergipe, unidades também de propriedade da Petrobrás, foram colocadas à venda no ano passado, mas não apareceram compradores. Diante disso, a companhia resolveu hibernar as fábricas, ou seja, fechou-as. O mesmo pode acontecer à SIX caso não haja interessados em sua aquisição.

 

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