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O Xisto Não Pode Parar!

O fato de a Petrobrás ter criado um grupo de estudo para avaliar a viabilidade econômica da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, causa preocupação na categoria e na sociedade local. Isso porque, diante do cenário de crise na Petrobrás e em todo o setor petróleo, pode ser uma sinalização de encerramento das atividades da SIX.

Diante disso, uma série de entidades da sociedade civil organizada e representantes políticos se engajaram na luta em defesa da SIX e lançaram a campanha “O Xisto Não Pode Parar”. O movimento, no entanto, vai além da manutenção das atividades da SIX. É preciso garantir investimentos na Usina do Xisto para que ela seja de fato viabilizada economicamente. Caso contrário, a cada queda abrupta no preço do barril de petróleo as ameaças de encerramento das atividades voltam à tona.

A Usina produz óleo combustível, nafta, gás combustível, gás liquefeito e enxofre, e ainda produtos que podem ser utilizados nas indústrias de asfalto, cimenteira, agrícola e de cerâmica. Porém, por ser um Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica, desenvolveu fertilizantes para a indústria agropecuária, a partir da água de xisto; e também faz o processamento do lastro, um resíduo de reservatórios de petróleo e derivados que requer destinação ambientalmente correta e que tem alto custo. Ainda no rol de atividades econômicas viáveis, o processamento do xisto permite a reciclagem de pneus em larga escala.

Quinta, 19 Maio 2016 17:23

Otimismo marca a reunião do GT do Xisto

 

 

O Grupo de Trabalho entre o Sindipetro PR e SC e a Petrobrás, com mediação do Ministério de Minas e Energia (MME), para tratar da sustentabilidade da Usina do Xisto (SIX) voltou a se reunir no início desta semana, dias 17 e 18 de maio, mas desta vez em São Mateus do Sul-PR, cidade sede da unidade industrial.

 

A novidade foi a participação de trabalhadores da SIX, especialistas no processo de mineração e processamento do xisto pirobetuminoso, que agregaram conteúdo às discussões com importantes informações sobre a cadeia do xisto e subprodutos. Outro ponto positivo foi o fato de os representantes da Petrobrás e do MME conhecerem as instalações da SIX.

 

A agenda de atividades do primeiro dia do GT foi integralmente destinada à visita às dependências da Usina, desde as unidades industriais de processamento e refino do xisto até as áreas de mineração.

 

Já no segundo dia, o foco foi no debate sobre as possibilidades de potencializar as operações da SIX, não apenas na continuidade da produção, mas principalmente na viabilização comercial e sustentabilidade da Usina através de alternativas propostas pelo Sindipetro. A reunião tratou dos três tópicos a seguir.

 

1. Custo Evitado do Sistema – Processamento de Lastro

O lastro é um resíduo de tanques de refinarias e da Transpetro cuja destinação ambiental é de custo elevado. A Petrobrás paga para empresas cimenteiras incinerarem o lastro. A SIX processa o lastro e recupera aproximadamente 60% do óleo contido na borra. Os testes com os resíduos da Repar, Regap, Refap e Tepar foram aprovados e a SIX processa atualmente cerca de 7 mil toneladas/mês de lastro. A boa notícia é que a Usina já tem liberação por parte do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para processar até 10 mil e 800 toneladas por mês.

 

O Sindipetro entende que com pouco investimento em adequações do processo PETROSIX a capacidade de processamento de lastro pode ser ainda maior.

 

2. Xisto Agrícola

Os estudos realizados pelo IAP e Embrapa com os fertilizantes gerados a partir do xisto, em solos desde o Rio Grande do Sul até Goiás, tiveram resultados animadores que demonstraram eficiência agronômica elevada, com aumento dos nutrientes em diversas aplicações. Os produtos desenvolvidos no Centro Avançado de Pesquisa da SIX são a água de xisto, um fertilizante folear, e as matrizes de fertilizantes sólidos: calxisto, finos de xisto e xisto retortado. A combinação desses subprodutos apresenta resultados ainda melhores quando analisados o tipo de solo e do produto a ser cultivado.

 

Atualmente o Brasil consome 21 milhões de toneladas de fertilizantes por ano e 70% desse volume vem de importação, ou seja, o país produz apenas 9 milhões de toneladas. Apenas a SIX é capaz de produzir 3 milhões de toneladas/ano, o que reduziria em 10% as importações de fertilizantes.

 

A comercialização dos fertilizantes de xisto depende apenas de algumas liberações ambientais, não apenas do IAP, mas dos institutos ambientais de outros estados. Por isso, a reunião do GT apontou como prioridade o empenho de cada ator (MME, Sindicato e Comunidade – Prefeitura de São Mateus do Sul, Associação dos Municípios da Região Sul do Paraná, entre outros) no sentido de acelerar a liberação das licenças.

 

3. Redução de custos na mineração e produção

O debate sobre a redução de custos na mineração e na produção de óleo e derivados na SIX passa por um imbróglio quanto à tributação. Atualmente as atividades da Usina estão enquadradas como produção de petróleo e sujeitas às regras da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o que implica no pagamento de royalties. Tecnicamente o xisto não é petróleo, mas um minério com querogênio sólido. Somente com o processamento térmico se extrai o óleo da rocha. Portanto, é consenso entre os participantes do GT a busca pelo reenquadramento do tipo de atividade da SIX perante à legislação tributária. Para isso, foi firmado o compromisso de rediscutir com os órgãos competentes e insistir na tese técnica.

 

Próxima reunião

O GT da SIX deve voltar a se reunir no dia 24 de maio, mas desta vez por videoconferência. Os assuntos em pauta serão as outras alternativas propostas pelo Sindicato, tai como: a UTEX (Usina Termelétrica do Xisto) e cimenteira, processamento de glicerina, potencialização da nafta de xisto, agentes rejuvenescedores de asfalto, impermeabilizante hidráulico, enxofre ventilado, entre outros. A otimização do Parque Tecnológico de Pesquisa e Desenvolvimento da SIX também estará em debate.

 

Avaliação

Na avaliação do presidente do Sindipetro PR e SC, Mário Dal Zot, que representa a entidade no GT, a reunião foi bastante positiva no sentido de ampliar o debate técnico sobre a sustentabilidade do xisto. “Estamos otimistas porque os argumentos para aumentar a cadeia de produção do xisto, agregando valor aos subprodutos, estão cada vez mais fortalecidos e convincentes. Não queremos apenas a continuidade das operações, mas desenvolver cada vez mais os potenciais, viabilizando economicamente a SIX”, comemorou. 

Última modificação em Sexta, 27 Maio 2016 15:15

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